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Hermafrodita



Chama-se hermafrodita (do nome do deus grego Hermafrodito, filho de Hermes e de Afrodite – respectivamente representantes dos sexo masculino e feminino) um indivíduo que produz ambos gametas femininos e masculinos funcionais durante sua vida.[1] O termo, antigamente usado para caracterizar seres com genitália ambígua e/ou contendo ovários e testículos simultaneamente, teve seu significado modificado com a descoberta dos cromossomos e subsequente revisões sobre o assunto.[2]

Hermafrodito, estátua romana (c. 200d.C.), cópia de um original grego. O leito foi adicionado por Bernini em 1516.

Muitos grupos taxonômicos de animais (principalmente invertebrados) não têm sexos separados.[3] Nesses grupos, o hermafroditismo é uma condição normal, possibilitando uma forma de reprodução sexual na qual qualquer um dos parceiros pode atuar como macho ou fêmea. Por exemplo, a grande maioria das esponjas, corais pétreos, platelmintos (planárias e tênias), oligoquetas (minhocas), gastrópodes (lesmas, caramujos, caracóis), tunicados são hermafroditas. O hermafroditismo também é encontrado em algumas espécies de peixes e, em menor grau, em outros vertebrados. A maioria das plantas também são hermafroditas.

Nos seres humanos é cada vez mais preferido o termo intersexo para descrever pessoas que nasceram e desenvolveram naturalmente características sexuais que não conseguem ser classificadas como apenas masculinas ou femininas.

Índice

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Generalidades do hermafroditismo

Em muitas espécies de peixes, como as garoupas, verifica-se um tipo de hermafroditismo insuficiente, ou seja, os indivíduos possuem órgãos sexuais masculinos e femininos, mas apenas um dos tipos se encontra ativo num determinado momento. Normalmente, o animal atinge a maturidade sexual com um determinado sexo e, no processo de crescimento, as gónadas convertem-se no outro sexo e tornam-se ativas mais tarde. Este tipo de hermafroditismo é chamado de hermafroditismo sequencial ou dicogamia.

Hermafroditismo humano

Fotografia, feita por Félix Nadar, de um hermafrodita, em 1860. É um dos primeiros casos de intersexo humano registrados visualmente.

Existem três tipos de hermafroditismo humano: o hermafroditismo verdadeiro, o pseudo-hermafroditismo masculino e o pseudo-hermafroditismo feminino:

  • No hermafroditismo verdadeiro as crianças nascem com os dois órgãos sexuais bem formados, possuindo os órgãos sexuais internos e externos de ambos os sexos, incluindo ovários, útero, vagina, testículos e pênis. No hermafroditismo verdadeiro a maioria das pessoas são XX e a formação de pénis, escroto e testículos é atribuída a causas ainda não totalmente conhecidas.[4]
  • No pseudo-hermafroditismo masculino a criança nasce XY embora os órgãos sexuais externos não se desenvolvam completamente.
  • No pseudo-hermafroditismo feminino a criança nasce XX embora o clítoris desenvolva-se excessivamente adquirindo um formato semelhante a um pênis (Clitoromegalia). Atribui-se uma suposta causa não genética para o pseudo-hermafroditismo feminino aos efeitos dos medicamentos utilizados no tratamento da hiperplasia congênita das suprarrenais (HCSR) por deficiência da 21-Hidroxilase, uma doença genética que necessita de tratamento permanente e que em alguns casos não é interrompido por gestantes que não sabem se estão grávidas.

Uma teoria genética recente busca explicar várias variações sexuais da intersexuação humana com sequências palíndromos presentes no cromossomo Y. Segundo essa teoria as sequências palíndromos presentes no cromossomo Y, que supostamente protegeriam esse cromossomo de variações genéticas, poderiam ocasionalmente se esticar e formar uma atração fatal com o palíndromo similar de seu vizinho, alterando o tamanho e/ou deslocando o centrômero do gene: os cromossomos gerados nessas divisões celulares teriam comprimentos variáveis, curtos e longos, com centrômeros deslocados ora para o centro, ora para as extremidades. Nessa teoria, os pacientes nos quais a distância entre os dois centrômeros do Y é curta, seriam homens, ao passo que quanto maior a distância entre os centrômeros, maior a tendência de que os pacientes sejam anatomicamente feminilizados. Essa pesquisa incluiu alguns pacientes XY portadores da síndrome de Turner, uma condição só então conhecida em pessoas atribuídas como do sexo feminino ao nascer que nascem com um único cromossomo X (cromossomos 45-XO).[5]

Convém notar também que as pessoas intersexo são frequentemente estéreis (e que todas as classificadas como hermafroditas verdadeiros são estéreis).

Tratamento

No tratamento do hermafroditismo humano, recorre-se muitas vezes a uma cirurgia para se definir o sexo. Segundo especialistas a maior dificuldade está em se definir o momento correto da cirurgia.[4][6] De todo o modo a opinião crescente é de que a pessoa intersexo possa escolher por si mesma se ela deseja a cirurgia e, nesse caso, qual o sexo desejado.[4]

Ver também

Referências

  1. Avise, John C., (2011). Hermaphroditism : a primer on the biology, ecology, and evolution of dual sexuality . New York: Columbia University Press. OCLC 715160171
  2. Damiani, Durval; Guerra-Júnior, Gil (agosto de 2007). «As novas definições e classificações dos estados intersexuais: o que o Consenso de Chicago contribui para o estado da arte?» . Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. 51 (6): 1013–1017. ISSN 0004-2730 . doi:10.1590/S0004-27302007000600018
  3. «hermaphroditism» . Encyclopædia Britannica Online. Consultado em 9 de abril de 2013. Cópia arquivada em 8 de março de 2013
  4. a b c Ricardo Muniz (11 de setembro de 2009). «Principal causa do hermafroditismo é mutação genética» . G1. Consultado em 17 de setembro de 2009
  5. «Fraqueza em cromossomo Y é relacionada a anomalias sexuais» . Folha Online. 30 de setembro de 2009. Consultado em 2 de outubro de 2009
  6. «Hermafroditismo pode ser curado com cirurgia» . Terra Online. 13 de setembro de 2009. Consultado em 17 de setembro de 2009. Arquivado do original em 21 de setembro de 2009
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Fonte


Data da informação: 01.05.2022 01:17:05 CEST

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